Conversa da vida: Suicídio na Velhice

por Gigi em 27 de setembro de 2018
Wanda Patrocinio

Mestre em Gerontologia e Doutora em Educação

Roberta dos Santos Tarallo

Gerontóloga

A palavra suicídio vem do latim sui (si mesmo) e caederes (ação de matar). Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) nenhum fator singular é suficiente para explicar por que uma pessoa comete suicídio ou deseja fazê-lo. Sem generalizar os fatos, o suicídio vem a ser o ato realizado de maneira direta ou indireta pela própria pessoa, cujo resultado é a morte. Objetiva-se finalizar algum sofrimento ou comunicar algo, podendo ter várias causas e motivações para sua ocorrência, sendo difícil determiná-lo e analisá-lo por apenas um aspecto.

Com isso, o suicídio é um fenômeno ocorrido por causas múltiplas, complexas e construída por diversos fatores e eventos circunstanciais. Pode ser desencadeado por um conjunto de elementos que se associam e envolvem razões pessoais, sociais, econômicas, psicológicas, culturais, biológicas e ambientais.

Os episódios vivenciados por idosos são vistos como difíceis, por terem que ser analisados de diversos aspectos, por exemplo, morte de pessoas próximas (amigos, familiares); problemas crônicos e doenças incapacitantes; violência (física e psicológica); os relacionamentos (falta de atenção, afrouxamento de contato); o impacto causado por mudanças de ambientes; estigmas sociais; abuso de álcool e drogas; o isolamento; a depressão podem levar os idosos a desenvolver comportamentos preditores do suicídio.

Nas fases anteriores ao suicídio existem os comportamentos específicos e são classificados em: ideação suicida (ideias, desejos, vontades, ameaças e planejamentos) e o comportamento em si, que segue com as tentativas, até chegar a consumar o ato. As ideações surgem a partir de particularidades do indivíduo, que lhe causam sofrimento e desgaste emocional, buscando como saída os pensamentos e planejamento de como dar um fim a esses sentimentos, saindo do meio em que está inserido, vendo a morte como a única saída possível.

Deve-se considerar que nem sempre esses comportamentos são identificados facilmente, manifestando-se de maneira oculta. Nas falas, os idosos, apresentam relatos de pensamentos de morte, cansaço, falta de sentido ou significado para viver, bem como sentimentos de abandono e de tristeza. Por vezes, determinadas atitudes de autonegligência, como não querer mais comer ou não tomar mais os medicamentos, também podem ser um alerta.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública. Após uma tentativa de suicídio, aumenta-se a chance do indivíduo tentar novamente até conseguir concretizar o ato, sendo que a população idosa merece atenção em busca de prevenção.

Falar de suicídio é falar mais da vida que da morte, por isso, a prevenção ocorre em conjunto com a família, amigos ou pessoas próximas e com profissionais da saúde, podendo envolver até mesmo toda a comunidade nesse processo. Mas, ao conversar com uma pessoa que está vulnerável, não dê opiniões do senso comum, pois determinadas palavras podem ser mais prejudiciais. Desse modo, escute-a e aconselhe-a a procurar um profissional capacitado.




 

Fontes:

Maria Raquel de Oliveira Alcântara; Thércia Lucena Grangeiro Maranhão; Ana Olívia de Oliveira Marinho; Leonarda Carvalho de Macedo. O Papel do Cuidador na Identificação dos Fatores Relacionados ao Suicídio de Idosos. Revista Multidiscplina e de Psicologia, v.12, n. 39, 2018.

Maria Cecília de Souza Minayo, Ana Elisa Bastos Figueiredo, Raimunda Matilde do Nascimento Mangas. O comportamento suicida de idosos institucionalizados: histórias de vida. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 27, n. 4: 981-1002, 2017.

Foto por: Pedro Ribeiro Simões Seguir

 

Wanda Patrocinio

Mestre em Gerontologia e Doutora em Educação

Idealizadora e Diretora da GeroVida – Arte, Educação e Vida Plena. Pedagoga, Mestre em Gerontologia, Doutora em Educação - UNICAMP. Professora, Pesquisadora e Terapeuta em Homeostase Quântica Informacional, Instituto Quantum.  Até junho de 2019 desempenhava o papel de professora do Programa de Mestrado de Gerontologia da Universidade Ibirapuera, UNIB, SP. Curso de Extensão em Psicogerontologia, PUC-SP. Curso de Estimulação Cognitiva com ênfase em memória para idosos, Pinus Longaeva, SP.

Roberta dos Santos Tarallo

Gerontóloga

Mestra em Gerontologia pela UNICAMP. Professora de Cursos Livres da empresa GeroVida. Voluntária da Associação Brasileira de Alzheimer, sub-regional Campinas.



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