Dermatite associado a incontinência (DAI) em idosos

por Gigi em 1 de fevereiro de 2017
Rita Cassia Ismail

Enfermeira (COREN: 0148972)

Esse é o nosso último post sobre problemas com a pele do idoso.
Você já ouviu falar em DAI?

São várias expressões encontradas como erupção cutânea por uso de fraldas, dermatite irritativa de fraldas, dermatite perineal, dermatite amoniacal, dermatite de contato, entre outros.  Em 2007, após um encontro entre um grupo de enfermeiros especialistas, foi padronizada a expressão Dermatite Associada a Incontinência (DAI), sendo publicado o primeiro consenso no Journal of Wound Ostomy & Continence Nurses (JWOCN), da Sociedade Norte Americana de Enfermeiros Estomaterapeutas (GRAY, 2007).

Estima-se que acometa cerca de 30% dos idosos que vivem na comunidade, de 40 a 70% dos idosos hospitalizados e 50% dos idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). A incontinência urinária/ fecal tem impacto negativo sobre a vida das pessoas, pois as predispõe às infecções perineais, genitais e do trato urinário, problemas de pele, interrompe o sono, compromete o convívio social, além de ser um dos grandes fatores de risco para queda.
A dermatite associada a incontinência é uma manifestação clínica de lesões de pele associadas a umidade, comum em pacientes com incontinência fecal e/ou urinária. Trata-se de uma inflamação da pele que ocorre em consequência do contato da pele perineal, perigenital, perianal e adjacências com a urina e as fezes.
Para desenvolver a DAI depende de um fator irritante em contato com a pele e também com a duração e a frequência de exposição a esses componentes. A hiper-hidratação e a maceração (umidade) do tecido, elevação da temperatura na região devido ao uso de fraldas, penetração dos irritantes internos (excreções) e externos (produtos), fricção, dentre outros fatores também contribuem para o aparecimento e agravamento desta situação.

Esta dermatite causa desconforto e dor, que pode ser comparada à dor da queimadura. Após o rompimento da pele pode ocorrer infecção na pele por invasão de bactérias fecais ou outros agentes oportunistas, considerando-se que em 48 a 72 horas uma pele comprometida por hiperemia e umidade em geral já está colonizada.
A frequência e a qualidade da higienização também contribuem para dano tecidual, poucas trocas diárias expõem o paciente à umidade excessiva e à ação enzimática, e várias trocas com excesso de força (fricção) para higienização e uso de produtos alcalinos expõem o paciente a dano mecânico e químico.

O que devo fazer?
É necessário avaliar diariamente esses idosos que fazem uso de fraldas para implementar ações que contribuam para melhoria do cuidado da sua pele.
Limpar suavemente a pele, sem fricção, utilizar sabonete neutro e toalhas macias para secar a pele. Os produtos utilizados para limpeza não devem conter perfume, corante e nem um tipo de componente irritante para a pele. Deve se utilizar sabonetes com pH semelhante ao da pele, ou seja, levemente ácido (ph entre 4,2 e 5,9).

Hidratar a pele: aplicar suavemente o creme hidratante sobre a pele, sem fricção, preferencialmente cremes emolientes;

Proteger a pele: os agentes protetores mais comuns são à base de petrolato e óxido de zinco, protetores à base de dimeticona e creme barreira (película protetora à base de copolímero de acrílico).

E se apresentar DAI, como devo tratar?
O tratamento deve ser com cremes antifúngicos e corticosteroide por curto prazo com foco na erradicação da infecção cutânea.
Destacam-se os altos custos com o tratamento da DAI, o atendimento de má qualidade, a baixa qualidade de vida, além do agravamento do estado geral do paciente, como piora ou predisposição a úlceras por pressão e infecções. Ao gerar implicações negativas nos âmbitos social, emocional e econômico para o paciente e seus familiares, essa situação vem justificando a atenção dispensada pelo cuidado de enfermagem.

Conclui-se que devemos prevenir, higienizar, hidratar e proteger a pele para não termos esse tipo de problema e se caso acontecer, devemos tratar corretamente.

Até breve.




Referências

DOMANSKY, R.C; BORGES, E.L e org. Manual para prevenção de lesões de pele: recomendações baseadas em evidências. 2 ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2014, 318 p.

CALIRI,M.H.L.; SANTOS,L.C.G; MANDELBAUM,M.H.S.; et al: Publicação oficial da Associação Brasileira de Estomoterapia – SOBEST e da Associação Brasileira de Enfermagem em Dermatologia – SOBENDE. [Online]. 2016. Disponível em: http://sobest.org.br/textod/35 [acesso em 22 nov  2016]. Site: http://www.sobest.org.br

CALDAS, C. Envelhecimento populacional e transição epidemiológica: implicações para enfermagem. In: Gonçalves LHT, Tourinho FSV (orgs). Enfermagem no cuidado ao idoso hospitalizado. São Paulo: Manole; 2012.

GRAY, M.; BLISS,D.Z; DOUGHTY, D.B; ERMER-SELTUN, J.; KENNEDY-EVANS, K.L.; PALMER, M.H. Incontinence-associated dermatites: a consensus. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2007; 34, p. 45-54.

Foto por Dyniss Rainer

Rita Cassia Ismail

Enfermeira (COREN: 0148972)

Graduada pela Fundação Educacional de Fernandópolis - SP, Educadora em Diabetes, qualificada pelo Projeto Educando Educadores em 2008, Especialista em "Unidade Cardiológica e Hemodinâmica" pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP em 2010 e, "Ativação de Processos de Mudança na Formação Superior de Profissionais de Saúde" pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - ENSP - FIOCRUZ em 2010, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP/ SP em 2015 e atualmente Coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Paulo - Unimed Araraquara



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