Dor articular degenerativa: Cirurgia ou tratamento conservador? O que é melhor?

por Gigi em 11 de novembro de 2016
Ramon de Oliveira Scatolin

Fisioterapeuta (CREFITO: 214759-F)

Olá queridos leitores, hoje o assunto é: As cirurgias são a melhor solução para dores articulares nas pessoas mais velhas?

Pois é, durante muitos anos a medicina apontava que cirurgias para coluna, joelho, quadril e ombro eram resolutivas e poderiam melhorar a qualidade de vida do paciente que já tinha um quadro de dor e um processo degenerativo avançado. Entretanto a cada dia um artigo novo é publicado mostrando que para diversos casos o tratamento conservador é igual ou até mesmo superior quando comparado a cirurgia, claro que não existe milagre, o tratamento conservado requer muita dedicação e pode sim não funcionar.

Mas afinal o que é melhor, ir direto para cirurgia ou tentar o conservador antes? Hoje a ciência demonstra que vale a pena tentar o conservador por diversos fatores, desde os riscos que qualquer cirurgia oferece até a parte financeira, pois a opção conservadora é mais barata em diversos aspectos. Tanto em dores lombares, como dores anteriores de quadril, joelho e ombro os resultados são animadores. E se engana quem pensa que esse tratamento é composto só por fisioterapia, mais uma vez a junção de vários profissionais pode fazer a diferença entre ir ou não para a “faca”.

No campo da fisioterapia diversos recursos podem melhorar a função, reduzir a dor, ajustar à biomecânica devolvendo assim a qualidade de vida necessária para o paciente. Estudos demonstram que os processos degenerativos como a possível ruptura dos tendões do ombro evoluem em probabilidade de ocorrer junto à idade, por exemplo, na Austrália pessoas na faixa-etária de 60 anos possuem 25% de chance de ter alguma ruptura no ombro e 50% acima dos 80 anos.

Claro que como sempre é ressaltado, a prevenção é de suma importância, pessoas mais ativas fisicamente diminuem ou retardam a sintomatologia de desordens degenerativas, por isso manter atividade física regular é um ótimo investimento a curto, médio e longo prazo.

Por fim, não pense que nunca mais as pessoas precisarão de cirurgia, casos traumáticos, tumores, enxertos ligamentares entre outros não fogem a regra da intervenção invasiva, procure sempre um profissional para avaliar o seu caso em particular, lembrando que a fisioterapia pode ser sim o contato primário da área da saúde, sem necessariamente ser indicada ou encaminhada por qualquer outro profissional.

Para aqueles que já realizaram alguma cirurgia, como artroplastia de quadril e joelho, reinserção de algum tendão do ombro, bloqueios de coluna, não pensem também que a história acabou por aí, até porque vocês devem saber muito bem como é o pós-operatório, a vida útil de próteses não é tão longa e depende dos cuidados tomados, mas de qualquer maneira toda atenção deve ser dada à estas situações, o fortalecimento muscular é imprescindível para ajudar na estabilização destas articulações. Por isso mais uma vez, o corpo humano não foi feito para ficar parado, mantenha o grau de atividade física que você conseguir, mas seja uma pessoa ativa.

Espero que tenham gostado e fiquem à vontade para tirar qualquer dúvida nos comentários. Um abraço e até a próxima!




Referências:

  • Artigo: Surgery or conservative treatment for rotator cuff tear: a meta-analysis – ISSN: 0963-8288 (Print) 1464-5165 (http://dx.doi.org/10.1080/09638288.2016.1198431)

  • Edwards, P.; Ebert, J.; Joss, B.; Bhabra, G.; Ackland, T.; Wang, A. EXERCISE REHABILITATION IN THE NON-OPERATIVE MANAGEMENT OF ROTATOR CUFF TEARS: A REVIEW OF THE LITERATURE, Austrália.

  • Christensen, B.H.; Andersen, K.S.; Rasmussen, S.; Andreasen, E.L.; Nielse, L.M; Jensen, S.L. Enhanced function and quality of life following 5 months of exercise therapy for patients with irreparable rotator cuff tears – an intervention study – DOI 10.1186/s12891-016-1116-6.

Ramon de Oliveira Scatolin

Fisioterapeuta (CREFITO: 214759-F)

Graduado em Fisioterapia pela Universidade de Araraquara - UNIARA. Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo - USP através do Programa de pós graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional (PPGRDF) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - FMRP. Diretor clínico do Instituto Trata - Joelho e Quadril na cidade de Ribeirão Preto - SP e Professor da pós-graduação  em Fisioterapia Ortopédica e Esportiva da Faculdade Inspirar do Instituto IPOG.



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