“Já que eu moro aqui, tenho que ajudar!”

por Gigi em 24 de maio de 2018
Amanda Coleone

Assistente Social (CRESS:53.047)

Em continuidade ao último texto publicado sobre Maus tratos, hoje vamos falar das diversas formas de violência existente contra o idoso e sobre a violência mais praticada e menos denunciada: a exploração financeira com abuso econômico e patrimonial. E vamos começar por ela:

Sabe aquele idoso que a família oferece o mínimo de atendimento mas é a renda dele a responsável pelo sustento da casa?

Sabe aquele idoso que tem retirado seu cartão da aposentadoria para que seus familiares saque o valor e compre os itens necessários, mas não é realizada uma prestação de contas?

Sabe aquele idoso que vai ao banco ou às financiadoras de crédito uma vez por mês solicitar adiantamento da parcela do 13º salário, empréstimo consignado ou pessoal, comprometendo o seu benefício e que o dinheiro é entregue total ou quase que totalmente para o filho, a neta ou a companheira? E que no final do dia tem seus cuidados básicos negligenciados, sofrendo ainda violência física e psicológica?

E aquele idoso independente que é convencido pelos familiares de que ele não precisa sair de casa para resolver seus problemas patrimoniais, é só assinar uma procuração, e no fim, perde tudo que demorou uma vida pra conquistar.

Segundo reportagem de 2016 do site O Globo:

 “A faixa etária das vítimas com maior incidência é de 71 a 80 anos (36%), seguida de 61 a 70 anos (33%). Na maioria das vezes, o perpetrador das violações está dentro da própria casa do idoso. Até junho, os filhos foram apontados como agressores em 54,7% dos casos totais de abuso financeiro e violência patrimonial, e os netos, em 8,5%. Em um país com alto desemprego, o idoso que tenha uma renda de aposentadoria ou de pensão se vê pressionado. Frequentemente, o parente que mora com ele exige mais do que deveria do idoso. Aquele dinheiro que deveria ser usado para remédio ou até lazer, acaba sendo usado para o lar — afirmou Dori Boucault, advogado especializado em defesa do idoso e consultor do escritório LTSA Advogados. — O idoso fica perturbado, pensa “já que eu moro aqui, tenho que ajudar”. Afinal, se forem expulsos do lar, muitas vezes não têm para onde ir.”

No entanto, este abuso não é exercido apenas pelos familiares, é muito comum que assim que o idoso aposentar receber inúmeras ligações de empresas oferecendo empréstimos.Na ilusão de que seria ajudado, acaba se enrolando cada dia mais.

As demais violências são frequentemente narradas em novelas, mas vale ser destacadas:

Violência Física: qualquer comportamento que implique agressão física, por exemplo, crimes de ofensa à integridade física, maus tratos físicos, sequestro, intervenções e tratamentos médicos arbitrários;

Violência Psicológica/Verbal: Provocar intencionalmente na pessoa idosa dor, angústia através de ameaças, humilhações ou intimidação de forma verbal ou não verbal, por exemplo, insultos, ameaças, humilhação, intimidação, isolamento social, proibição de atividades;

Violência Sexual: Violência na qual o agressor abusa do poder que tem sobre a vítima para obter gratificação sexual, sem o seu consentimento, sendo induzida ou obrigada a práticas sexuais com ou sem violência;

Violência Doméstica: Infligir, de forma continuada ou não, maus tratos físicos ou psíquicos, a pessoa particularmente indefesa em razão da sua idade ou dependência económica que consigo coabite, por exemplo, castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais.

Negligência e Abandono: é o ato de omissão de auxílio do responsável pela pessoa idosa em providenciar as necessidades básicas, necessárias à sua sobrevivência, por exemplo, o crime de omissão de auxílio e não providenciar acesso a cuidados de saúde.

Tais definições foram retiradas integralmente do site da APAV – Associação Portuguesa de Apoio a Vítima, e pode ser consultada a qualquer momento para maiores informações pelo link disponibilizado abaixo nas referências.

 

Não seja conivente com tais violações. Denuncie ao Disk 100, Conselho do Idoso, CREAS ou ao Ministério Público da sua cidade.




Referências bibliográficas:
https://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/crescem-denuncias-de-abusos-financeiros-contra-idosos-20461282

https://apav.pt/idosos/index.php/violencia-crime/tipos-de-violencia-e-de-crime

Imagem por: Luís Honrado

Edição por: Equipe SCAElife

Amanda Coleone

Assistente Social (CRESS:53.047)

Assistente Social Graduada em Serviço Social pela Instituição Toledo de Ensino - ITE Bauru. Trabalha como assistente social no Lar São Vicente de Paulo – Ibitinga/SP e também na Prefeitura Municipal de Itápolis/SP. Possui em seu currículo realização de trabalho voluntário junto da "The Salvation Army" (Canadá) e Rotaract Club de Ibitinga.



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