Novembro Azul: Vamos falar sobre a saúde do homem?

por Gigi em 11 de novembro de 2021
Eduardo Maia

Enfermeiro Coren/SP: 513.918


o exterior a campanha do novembro azul é chamada de Movember (Moustache + November) no português, Bigode e Novembro. Essa ação começou em um Pub, na Austrália, em 1999. Um grupo de amigos teve a ideia de deixar o bigode crescer durante todo o mês como apoio à conscientização da saúde masculina e arrecadação de fundos para doação às instituições de caridade. O mês de novembro foi o escolhido justamente para comemorar no dia 17 o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. 



Sabemos que a campanha “Novembro Azul” é muito importante para a conscientização ao combate e prevenção do câncer de próstata. Mas você sabia que além do câncer de próstata existem outros cânceres que acometem a saúde masculina como o câncer de pênis e testículo. 



O câncer de próstata é o mais frequente, com 61.200 novos casos da doença por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tumor de testículo corresponde a 5% do total de casos de câncer entre os homens, e o de pênis representa 2%. Esses dois tumores podem ser menos frequentes, mas não são menos importantes e os homens devem ficar atentos a eles. 



Câncer de Pênis



O câncer de pênis é mais comum em países menos desenvolvidos. No Brasil, segundo o INCA, os casos são mais comuns nas regiões Norte e Nordeste. Essa doença pode ser associada:



  • à falta de saneamento básico, que afeta diretamente os cuidados de higiene;
  • à falta de conhecimento por parte da população masculina sobre os riscos que o homem tem para a sua saúde;


Há homens com baixa instrução que mesmo depois de adultos e com filhos possuem uma condição chamada fimose que é o excesso de pele (prepúcio) que recobre o pênis dificultando que a glande (cabeça do pênis) seja exposta. Esta condição é comum nos bebês do sexo masculino e tende a desaparecer com o passar do tempo, mas se o problema persistir pode ser necessária uma intervenção cirúrgica simples para remoção da pele. Homens que chegam à idade adulta com essa condição podem ter dificuldade para higienizar a glande ocasionando assim uma cultura de bactérias e fungos onde começa o desenvolvimento de um câncer de pênis.



Existe ainda o risco, segundo estudos, desse tipo de câncer de pênis através da infecção por HPV (papiloma vírus humano), que é uma IST (infecção sexualmente transmissível), se não tratada pode ser um fator favorável para o desenvolvimento do câncer de pênis. Em 2019 e 2020, no norte e nordeste do Brasil tiveram um aumento considerável de câncer de pênis, e em muitos dos casos, por ser diagnosticado tardiamente, o paciente acaba por ter o órgão amputado total ou parcialmente, causando transtornos psicossociais, abalando autoestima e problemas fisiológicos associados. 



Como prevenir? 



Para prevenir o câncer de pênis, é necessário fazer a limpeza diária do órgão com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação. É fundamental ensinar aos meninos desde cedo os hábitos de higiene íntima, que devem ser praticados todos os dias. A cirurgia de fimose (quando a pele do prepúcio é estreita ou pouco elástica e impede a exposição da cabeça do pênis, dificultando a limpeza adequada) é outro fator de prevenção. A operação é simples e rápida e não necessita de internação. Também chamada de circuncisão ou postectomia, a cirurgia de fimose é normalmente realizada na infância. Quando a circuncisão é realizada na infância, há redução do risco de desenvolver esse tipo de câncer. 



Bons hábitos de higiene reduzem o risco tanto em homens que realizaram quanto nos que não realizaram a cirurgia.



Uso do preservativo



A utilização do preservativo é imprescindível em qualquer relação sexual, já que a prática com diferentes parceiros sem o uso de camisinha aumenta o risco de desenvolver a doença. O preservativo diminui a chance de contágio de doenças sexualmente transmissíveis, como o vírus HPV, por exemplo. 



Como detectar precocemente?



A detecção precoce do câncer é uma estratégia utilizada para encontrar um tumor numa fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento bem-sucedido.



A detecção precoce pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou de pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.



Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pênis traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.



Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita resultados mais satisfatórios  em seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:



•          Tumor ou úlcera em pênis na ausência de uma doença sexualmente transmissível ou persistente após seu tratamento.



•          Espessamento ou mudança na cor da pele do pênis ou prepúcio.



Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias. 



Câncer de testículo



Outro tumor que pode atingir os homens é o de testículo. Um dos fatores que aumentam o risco desse câncer é a criptorquidia, quando um ou os dois testículos não descem para a bolsa escrotal durante o desenvolvimento do feto. Quando a criança nasce, é importante que o médico verifique se o problema existe. Se houver criptorquidia, a correção deve ser feita precocemente.



Síndromes genéticas raras, como a de Klinefelter, e história familiar, também podem aumentar as chances de a doença aparecer.



Um nódulo duro pode ser sinal de câncer de testículo e deve ser examinado por um médico. Outros sinais que merecem atenção são: 



  • aumento do volume do testículo;
  • dor;
  • endurecimento e inflamações.


O câncer de testículo é raro, representa apenas 5% dos casos de câncer em homens, e atinge, em sua maioria, brancos de 25 a 50 anos de idade. Apesar disso, é um tipo de câncer que tem baixo índice de mortalidade e isso tem relação direta com a facilidade de detecção precoce da doença. O câncer de testículo pode ser identificado durante o autoexame, em casa, e quando ele é descoberto no início as chances de cura superam 90%.



Como realizar o autoexame?



Fique em pé, em frente ao espelho, e procure observar alguma alteração na região como: 



  • alteração no tamanho dos testículos;
  • sensação de peso no escroto;
  • dor no abdômen inferior; 
  • na virilha;
  • nos testículos ou no escroto;
  • líquido que sai do escroto.


Examine cada testículo com as duas mãos, para isso, posicione o testículo entre os dedos indicador, médio e polegar e movimente-o. O autoexame não deve causar dor. É normal se observar que um dos testículos parece ser maior que o outro.



Localize o epidídimo, canal localizado atrás do testículo que coleta e carrega o esperma. Isso é importante para conhecer essa estrutura e não confundir com uma massa suspeita.



Tratamento



O tratamento é feito com cirurgia para a retirada do testículo afetado e, dependendo do estágio da doença, o paciente poderá ter de fazer quimioterapia. 



“Esse tumor é mais comum nos homens entre 16 e 40 anos de idade e é importante dizer que é altamente curável, mesmo se for metastático”, segundo o oncologista Fernando Maluf. 



Culturalmente os homens não costumam ir ao médico com frequência como acontece com as mulheres, a timidez associada a falta de instrução na infância e adolescência afasta esse público dos serviços de saúde. 



Campanhas como novembro azul incentiva os homens sobre o autocuidado ( autoexame dos testículos e do pênis), a conhecerem mais sobre seu próprio corpo e terem o costume de passar no urologista regularmente.  O autocuidado é de extrema valia e evita diagnósticos tardios que podem levar o homem a óbito por metástase.



 É de suma importância que não só em novembro, mas em todo ano campanhas em empresas, escolas e até mesmo em mídias sociais sejam divulgadas a fim de que mais e mais homens possam falar sobre saúde e prevenção, assim como o público feminino já faz de costume. 



Estatisticamente os homens vivem menos que as mulheres, e um dos fatores para isso, é a falta de cuidado com a própria saúde. Fique atento, se você é homem, se conscientize, e vocês mulheres espalhem essas informações. Conhecimento pode salvar vidas.



Novembro azul, mês de cuidar da saúde do homem.






Imagem por: Freepik, edição Scaelife.



Referencias:



https://www.iucr.com.br/



https://antigo.saude.gov.br/



https://www.inca.gov.br/


Eduardo Maia

Enfermeiro Coren/SP: 513.918

Bacharel em enfermagem pela Faculdade Anhanguera de Sorocaba, Pós em Urgência e emergência/ UTI adulto e docência do ensino superior. Vivência na assistência em urgência e emergência por 10 anos. Há 3 anos é Responsável Técnico de enfermagem e Gestor no Residencial Sênior Maria Luíza em Ibiúna-SP e Docente no curso de tecnico de enfermagem há 5 anos.



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