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Você tem repulsa em falar sobre envelhecimento?

por Gigi em 9 de setembro de 2016

Em muitos eventos que realizamos sobre Gerontologia[1], as pessoas nos questionam sobre o uso do termo envelhecimento. Percebemos que muitos adultos e idosos não gostam de falar sobre este tema. De onde vem está repulsa? Você é uma destas pessoas que não aceitam o envelhecimento? Tem ideia dos motivos de tanta repulsa?

Até pouco tempo atrás a velhice era sinônimo de doença, de só ter aspectos negativos nesta fase da vida. Porém, este mito caiu por terra e muitas pessoas não acompanharam esta evolução; os estudos e a realidade mostram que podemos viver uma velhice saudável, de muito vai depender como cada pessoa viveu a própria vida e dos aspectos de saúde, psicológicos e sociais que permearam sua caminhada. Daí a importância de se desmistificar o termo envelhecimento. Temos uma teoria na Gerontologia chamada de Curso de Vida e nela compreendemos o envelhecimento caminhando junto com o desenvolvimento ao longo da vida.

E como está a vida das pessoas hoje? Como está o tempo? A velocidade do passar do tempo tem se acelerado, muitos não conseguem mais parar para apreciar as folhas das árvores a cair no chão, não conseguem apreciar a natureza, o pôr do sol… Esse tempo, do relógio de nossas vidas está correndo… Com um tempo tão acelerado, com a necessidade de produção, de ação, de atividade no mundo, muitas pessoas passaram a se esquecer delas mesmas, qual o tempo que elas reservam para si? Qual o tempo que você reserva para cuidar de você com carinho e não apenas de modo automático?

Se estamos neste mundo, precisamos viver nele e não apenas sobreviver. O desafio se torna o de como conseguir equilibrar esta caminhada num tempo que prima por realizações a todo o momento e, paralelamente, voltar o nosso olhar e ações também para nossa vida pessoal, familiar, nossa saúde e bem-estar.

Viver como está posto hoje é passar a maior parte do tempo no trabalho, ou seja, vivemos para o Mundo do Trabalho e nos esquecemos do Mundo da Vida. Vivemos em constante estresse, numa vida enlouquecedoramente corrida.

É urgente iniciarmos uma transformação deste paradigma, é urgente usarmos o direito que temos à Vida. Estas inquietações e reflexões inebriaram minha mente na tentativa de buscar soluções e, assim, faço aqui um convite para cada um que lê este texto: que tentemos viver uma vida mais consciente e com qualidade de vida e que em nossas ações cotidianas e de trabalho possamos fazer diferença na vida das pessoas com quem convivemos, atendemos e trabalhamos e, assim, contribuir para que nossa sociedade envelheça de forma mais digna, saudável e positiva.

Para termos um envelhecimento saudável precisamos cuidar da vida que levamos independente da idade que temos, pois não adianta pensar na velhice apenas quando nela estivermos; lembrando a Teoria do Curso de Vida, o envelhecimento caminha paralelo com o desenvolvimento. Dando seguimento às discussões iniciadas pelo colunista Diego Bonatti e com a reflexão da antropóloga Guita Grin Debert que cita “Velho é sempre o outro” e nunca nós mesmos, tiramos aqui o olhar do outro e convidamos cada um de nós a pensarmos sobre nossa própria velhice. Eu já tenho feito isto. Passo a bola para vocês. Assim, o que você faz no seu dia a dia em prol do seu envelhecimento saudável?

Pense nisto!

[1] De modo simples, a Gerontologia é o campo científico e profissional dedicado às questões multidimensionais do envelhecimento e da velhice, tendo por objetivo a descrição e a explicação do processo de envelhecimento nos seus aspectos biológicos, psicológicos, sociais e outros. É, por esta natureza, multi e interdisciplinar.




Referências:

Parte do texto foi escrito em parceria com a Gerontóloga Roberta dos Santos Tarallo.

Debert, Guita. G. A reinvenção da velhice: socialização e processos de reprivatização do envelhecimento. São Paulo: EDUSP, 1999.

Neri, Anita L. Palavras-chave em Gerontologia. Campinas, SP.: Editora Alínea, 2008. 3ª edição.

Foto por: Moyan Brenn



Sobre o Autor

Wanda Patrocinio

Gerontóloga

Idealizadora e Diretora da GeroVida – Arte, Educação e Vida Plena. Pedagoga, Mestre em Gerontologia, Doutora em Educação - UNICAMP. Professora, Pesquisadora e Terapeuta em Homeostase Quântica Informacional, Instituto Quantum.  Até junho de 2019 desempenhava o papel de professora do Programa de Mestrado de Gerontologia da Universidade Ibirapuera, UNIB, SP. Curso de Extensão em Psicogerontologia, PUC-SP. Curso de Estimulação Cognitiva com ênfase em memória para idosos, Pinus Longaeva, SP.

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