Atividades ao ar Livre para Idosos

por Gigi em 14 de maio de 2020
Naira Salles de Moraes

Fisioterapeuta e Especialista em Gerontologia


Imagina como seria para você não saber se está sol ou chovendo; se é dia ou noite; se está frio ou calor; se estamos na cidade ou no campo. Imagina como seria esquecer o canto dos pássaros, o barulho dos carros passando, a sensação do vento no rosto, a beleza das ondas do mar e o som da risada do próximo.




Apesar de não ter parecido agradável para você que lê, essa é a realidade de muitos idosos, principalmente daqueles que moram dentro de uma ILPI.
Mas “pera aí”, essa não é uma crítica às ILPIs e sim um alerta para direcionar a atuação da equipe interdisciplinar.



Muitos dos idosos institucionalizados acabam permanecendo grande parte do tempo dentro da casa por limitações motoras, funcionais, cognitivas e até mesmo por falta de preparo e programação da equipe. Sendo assim, vamos conversar um pouco sobre como podemos incluir as atividades ao ar livre em nossa rotina institucional e qual a importância delas.



O processo de institucionalização pode ser traumático para o idoso por afastá-lo de seu meio social e de seu ambiente de costume, então, estimulá-lo à interagir com o meio externo, oferece ao idoso uma “quebra da rotina” além de oferecer a sensação de “liberdade” e de pertencimento à um meio que ele já conhecia – ainda mais se lembrarmos que essa geração de idosos, quando jovens, brincavam na rua, namoravam no portão, etc.. Considerando que baseamos todas as condutas institucionais em uma avaliação de qualidade, sabemos quais as preferências desse idoso e como ele lida com o meio externo, norteando assim nosso plano terapêutico.




Além dos aspectos psicológicos e emocionais, estar ao ar livre tem seus benefícios orgânicos e físicos, como, por exemplo, o banho de sol que favorece a síntese de vitamina D e o aquecimento do corpo. Outros benefícios são a regulação da temperatura do corpo com o vento/ brisa em dias de calor, ar mais puro e limpo, estímulo multissensorial (audição, olfato, tato), estímulo cognitivo com conversas e trocas de experiências relacionadas ao meio, etc.



Mas qual atividade eu posso planejar ao ar livre?



Isso vai depender do quadro clínico do seu cliente, mas são inúmeras, podendo ser individuais ou em grupo, com ou sem a presença de um profissional para direcionar a atividade, dentro ou fora da ILPI.



Devemos lembrar que as atividades ao ar livre podem e devem (sempre que possível) ser realizadas fora dos muros da ILPI, como parques, zoológicos, praças, feiras, ruas e calçadas, desde que, previamente programadas, bem dirigidas por uma equipe preparada e o local escolhido seja seguro e de fácil acesso ao cliente ou ao grupo. Afinal, fora do ambiente institucional, o idoso estará sujeito a estímulos, meio social e rotina diferentes da cotidiana.



Alguns exemplos de atividades ao ar livre:



-Piquenique e refeições;
-Fisioterapia;
-Terapia ocupacional;
-Fonoterapia;
-Horta;
-Atividades religiosas (cultos, consagrações, rezas, etc);
-Festas (aniversários, temáticas, religiosas, etc.);
-Musicoterapia;
-Exercícios físicos;
-Jogos;
-Leituras e outras atividades culturais
-Roda de conversa;
-Atividades educacionais.



Leia também: Como sair da rotina e desenvolver atividades diferentes com idosos?



Vale lembrar que além dos benefícios, podemos ter malefícios ao ar livre, então existem alguns detalhes que devemos ter em mente quando levamos o idoso ao ar livre:



-Qualidade e umidade do ar (épocas de seca, o ar fica muito poluído e com baixa umidade, sendo maléfico; regiões industriai ou centro de grandes metrópoles tem o ar mais poluído) – Vale apena verificar como está o ar no dia antes de expor o idoso.
-Temperatura (temperaturas elevadas e muito baixas podem interferir na termorregulação corporal do idoso; vir da área externa para a interna com bruscas mudanças de temperatura podem gerar quadros respiratórios em idosos, etc). – O idoso é mais sensível a temperaturas que você, e alguns podem não saber expressar como estão se sentindo em relação à temperatura, temos que ser criteriosos.
-Horário (apesar de precisar do sol, em determinados horários ele é muito forte e prejudicial) – Dê preferência ao sol antes das 10 horas e depois das 16 horas.
-Hidratação (o sol, o vento e atividade realizada podem reduzir a hidratação do idoso) – importante oferecer água e líquidos de acordo com a patologia e necessidade de cada caso.
-Equipe (idosos com maior dependência precisam de mais cuidados, precisando, as vezes, de um profissional para dar atenção exclusiva a ele, outros, independentes e com cognitivo preservado, podem realizar atividades sem necessidade de supervisão – mesmo que fora da instituição) – planejar quantos profissionais devem acompanhar a atividade ao ar livre.
-Infraestrutura (banheiros, espaço para troca de fraldas/ roupa, higiene do local, segurança, acessibilidade, conforto, etc.) – o local escolhido deve ter uma infraestrutura adequada para suprir as necessidades e demandas do idoso, inclusive em casos de emergências.
-Autonomia do idoso (ele quer ir para o ar livre?) – Apesar dos benefícios da atividade ao ar livre, sempre devemos considerar a opinião do idoso e, se necessário, argumentar com ele sobre a importância da atividade proposta.



Agora que você viu os benefícios e algumas opções do que fazer com seu idoso ao ar livre, como vai ser seu dia amanhã na ILPI? Planejando uma atividade, ou novas atividades, ao ar livre ou na sua rotina de cuidados anterior?






Imagem por: Paul Theodor Oja Pexels


Naira Salles de Moraes

Fisioterapeuta e Especialista em Gerontologia

Fisioterapeuta pela Universidade de Mogi das Cruzes , cursou especialização em fisioterapia em gerontologia pelo HCFUSP. Docente pela FMU-Laureate. Membro do corpo docente da Physiocursos -FABIC. Fisioterapeuta domiciliar e na ILPI Solar das Mercedes. Experiência de mais de 16 anos com atenção ao público idoso.

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