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Como implementar um Programa de Exercícios Físicos e outras Atividades para Grupos de Idosos

por Gigi em 27 de agosto de 2020


Os benefícios da ginástica em grupo e algumas observações importantes para torná-las seguras e eficazes para a população 60+ foram descritas em artigo anterior.



Leia em: EXERCÍCIOS EM GRUPOS PARA IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: MUITO ALÉM DOS BENEFÍCIOS PARA O CORPO



As consequências do processo natural de envelhecimento podem ser minimizadas ao se trabalhar os indivíduos de maneira integral, tendo como preocupação não apenas os aspectos biofísicos, mas também a parte motivacional e social. A fim de garantir a participação efetiva dos idosos, deve-se privilegiar uma escuta direcionada a eles, encorajando-os a se posicionar sobre suas necessidades, sugestões e reclamações durante o processo, o que contribui ainda para a reaproximação da sua capacidade decisória.



As atividades propostas devem fazer sentido para os residentes, agregando valor, mais dinamismo, integração, autonomia e qualidade de vida. Todos os esforços devem ser empreendidos em favor das capacidades funcional, mental e cognitiva do idoso.



Recomenda-se que se inicie os exercícios físicos com um trabalho de baixo impacto e intensidade, fácil realização e de curta duração, respeitando as limitações de cada um e ir progredindo à medida que o condicionamento físico melhore. O programa precisa abranger exercícios aeróbicos, funcionais, de força e resistência muscular, flexibilidade e equilíbrio. O professor tem as funções de demonstrar e aplicar as atividades, orientando e motivando o grupo.



O peso do próprio corpo pode ser utilizado como resistência, principalmente em exercícios que simulam situações cotidianas como sentar e levantar de uma cadeira, colocar um objeto atrás de você girando para a direita e esquerda ou mover um bastão como se fosse uma vassoura. Oficinas de artesanato contribuem para coordenação motora fina e estabilização escapular.



Práticas que exigem maior esforço físico podem ser intercaladas com outras mais leves, como brincadeiras livres, música, bolas de soprar, criando um ambiente mais divertido e favorável à interação de todos. Atividades lúdicas são ótimas opções para trabalhar a cognição, e aspectos como leitura e linguagem, matemática, história, cultura e prática esportiva podem e devem ser incluídas no planejamento. Cabe aos profissionais realizar as adaptações necessárias para viabilizar essa abrangência, garantir segurança e evitar frustrações.



Esteja atento aos detalhes



Para a otimização do programa, os envolvidos precisam conhecer as particularidades do envelhecimento e da terceira idade, e prezar pelo respeito à individualidade de cada idoso, suas preferências e capacidade funcional.



As recomendações gerais para a prática de exercícios físicos são aplicáveis à terceira idade: usar roupas e calçados adequados, não se exercitar em jejum ou se não houver bem-estar físico, dar preferência ao consumo de carboidratos antes da ginástica,  interromper se houver dor ou desconforto, evitar extremos de temperatura e umidade, hidratação adequada antes, durante e após a prática.



Acrescenta-se a esse rol o monitoramento periódico dos sinais vitais, medidas para minimizar o estresse ortopédico, assistência de perto, preparação do ambiente confortável e seguro e materiais necessários que tenham preferencialmente cores fortes e letras grandes. Os comandos devem ser dados de forma clara e objetiva, sempre motivando e valorizando o esforço e os avanços mais discretos. Os benefícios das práticas devem ser sempre reforçados. O acompanhamento nutricional é fundamental para certificar o aporte necessário de nutrientes que favoreçam os resultados individuais a energia para a execução das tarefas.



A implementação de atividades em grupos de idosos, sempre singulares nas suas particularidades, exige dedicação, conhecimento e conscientização do quanto elas são fundamentais no contexto das instituições. Para o sucesso do empreendimento é de extrema necessidade a desmitificação de que a velhice é sinônimo de incapacidade. Cada residente deve encorajado diariamente a participar, mesmo que somente para observação. Dessa maneira, a aceitação e engajamento ocorrem de maneira gradual, quando eles percebem que são capazes e juntam-se ao grupo.



As atividades descritas abaixo podem ser incluídas no programa de exercícios da instituição ou centro dia. Algumas delas exigem equipamentos específicos, mas possuem benefícios tão amplos para os idosos que vale pesquisar mais!



Caminhada:
objetivar velocidade capaz de produzir suor e acelerar a respiração.



Atividades aquáticas (natação
e hidroginástica): impacto nos tendões e articulações é minimizado e
possibilita o aumento de sobrecarga com
menor risco de lesões.



Pilates e Yoga: benefícios na
funcionalidade, equilíbrio e controle de dores, em geral são associados a
outros tipos de exercícios.



Dança: melhora especialmente o condicionamento aeróbico,  o equilíbrio corporal e a coordenação motora. Também permite ao participante alcançar estados emocionais positivos. Musculação e Exercícios Resistidos: realizados com supervisão, são os exercícios com maior potencial de aumentar a força muscular e a massa óssea.






Imagem por: Freepik



Referências:



GUIMARAES, Andréa Carmen et
al. Atividades grupais com idosos
institucionalizados: exercícios físicos funcionais e lúdicos em ação
transdisciplinar. Pesqui. prát. psicossociais [online]. 2016,
vol.11, n.2, pp.



HALLL
PC, MATSUDO SM, MATSUDO VK, ARAUJO TL, ANDRADE DR, BERTOLDI AD. Physical
activity in adults from two Brazilian areas: Similarities and
differences. Cad Saúde Pública. 2005 Mar-Apr; 21(2): 573-80. julho de
2012.



MACIEL, M.G. Artigo de Revisão
Atividade física e funcionalidade do idoso. Motriz,2010 Rio Claro, v.16 n.4,
p.1024-1032



NELSON, M.E.; REJESKI, W. J.;
BLAIR, S.N.; DUNCAN, P.W.; JUDGE, J.O.; et al. Physical activity and public
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Medicine and the American Heart Association. Medicine Science Sports Exercice.
2007, Aug; 39(8):1435-45.



ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE
(OMS). O papel da atividade física no Envelhecimento saudável. Florianópolis,
2006.




Sobre o Autor

Renata Sollero

Fisioterapeuta e Especialista em Uroginecologia

Fisioterapeuta pela Universidade Federal de MG, Especialista em Uroginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas de MG. Experiência na Assistência à Terceira Idade (individual e em grupo) há mais de 13 anos. Consultora em Gestão do Cuidado do Idoso e Segurança e Funcionalidade do Domicílio.

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