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Exercícios em Grupos para Idosos Institucionalizados: muito além dos benefícios para o corpo

por Gigi em 16 de julho de 2020


Sedentarismo e Institucionalização



Uma pessoa sedentária não é somente a que não realiza atividade física regular, mas toda aquela que no seu dia a dia não executa tarefas que aumentem o seu gasto energético de modo significativo, comparado ao gasto quando se permanece em repouso. Andar do quarto para a sala, limpar a casa, passear com o cachorro, descer a escada do prédio, brincar com os filhos, levantar para atender o telefone ou cuidar do jardim são exemplos de afazeres que nos mantêm ativos.



Idosos residentes em ILPIs, segundo Goffman, estão sujeitos à perda do poder de decisão em favor da manutenção da estrutura de organização das instituições. Isso devido a três particularidades: o isolamento físico; o tratamento igualitário e simultâneo para todos os residentes; e o grau acentuado de controle dos afazeres e rotina dos residentes. Essa realidade desencadeia o declínio da capacidade funcional desses indivíduos e favorece o estabelecimento do sedentarismo. Langoni e colaboradores chamam atenção para o sedentarismo dessa população, que resulta em condicionamento físico reduzido e possibilidade de aumento de doenças, inclusive demências.



Atividade X Exercício Físico



Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pelo músculo esquelético que resulte em um pequeno aumento calórico acima do repouso, por exemplo uma caminhada que fazemos para nos deslocar de um local para outro.



Já o exercício físico é um tipo de atividade com movimentos corporais programados, estruturados e sistematicamente repetitivos. Ele é um recurso não medicamentoso eficiente na prevenção e controle de doenças crônicas e tem benefícios inúmeros, dentre eles a redução da gordura corporal, melhoria no sistema cardiovascular, aumento da sensibilidade à insulina, redução do LDL e aumento do HDL. Podemos considerar como exercício físico a dança, a hidroginástica ou até uma caminhada diária com intensidade moderada.



Os parâmetros atuais das organizações de saúde e governamentais recomendam 150 minutos de exercícios moderados por semana para manter a saúde e o condicionamento físico. Exercícios com peso são necessários para estimular a musculatura e contribuir para a independência funcional.



Benefícios dos Exercícios em Idosos



Além dos descritos anteriormente, podemos citar ainda:



  • melhora na utilização da glicose,
  • diminuição da resistência vascular,
  • diminuição da dosagem de medicamentos (em especial para controle da hipertensão e diabetes),
  • diminuição de dores articulares,
  • aumento da densidade mineral óssea,
  • melhora da força, flexibilidade e capacidade funcional,
  • melhora na postura e equilíbrio corporal (fundamental para prevenção de quedas e fraturas),
  • diminuição da mortalidade.
    Do ponto de vista psicossocial destacam-se:
  • melhora da qualidade do sono,
  • alívio da depressão e estresse,
  • aumento da autoconfiança,
  • melhora da autoimagem e autoestima,
  • melhora da socialização,
  • melhora na percepção da qualidade de vida.


Muitos estudos observam aumento da participação e melhora do desempenho nas Atividades da Vida Diária, o que reduz a frequência e demanda por ajuda pelos cuidadores. Os residentes das ILPIs resgatam parte da sua independência em tarefas como tomar água sozinho, deslocar a cadeira de rodas sem ajuda de terceiros e levar comida à própria boca.
Comprovadamente essencial na prevenção de doenças (muitas delas sem cura) e suas complicações e comorbidades, o exercício físico retarda a perda de memória e seus benefícios são observados inclusive quando iniciados em estágios avançados da vida, mesmo que os idosos sejam sedentários.



Os integrantes de grupos de ginástica acreditam que esses ambientes propiciam as condições necessárias para formação de vínculos sociais, para se ter uma vida mais plena, repleta de bem-estar. A interação com outros indivíduos da mesma idade é importante para a troca de vivências, identificação e percepção das limitações e diversidade nessa fase da vida.



Leia também: A IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS EM RELAÇÃO A DOENÇAS SISTÊMICAS



Então vamos preparar nosso grupo?



Antes de começarem a se exercitar, todos os participantes devem ser submetidos a avaliação clínica e física, e alguns exames específicos podem ser solicitados. Idealmente, a equipe responsável deve incluir médico, nutricionista, fisioterapeuta ou educador físico, além de cuidadores para auxiliarem na condução do grupo. Esses profissionais precisam conhecer as particularidades do envelhecimento e da terceira idade, e prezar pelo respeito à individualidade de cada idoso, suas preferências e capacidade funcional.



A observância desses pontos faz-se necessária para determinar os objetivos, modalidades, intensidade e outros parâmetros necessários para a elaboração de um programa seguro e eficaz. Orientações e outras intervenções individualizadas poderão fazer a diferença para garantir a adesão de todos e o alcance de resultados positivos. Lembrando sempre que a atividade mais indicada para uma pessoa é aquela que ela goste de realizar.



Continue acompanhando as postagens do blog, para entender melhor como implementar práticas para o envelhecimento de qualidade, ativo, saudável e prazeroso.






Imagem por: Freepik



Referências:



AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. ACSM’s Guideline for exercise
testing and Prescription. 6 ed, Philadelphia: Lippincott: Human Kinetics, 2006.



CASPERSEN, C. J.; POWELL, K. E., CHRISTENSEN, G. M. Physical
activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for
health-related research. Public Health Reports, 100:126–131, 1985.



GOFFMAN, E.
(1961). As características das instituições totais. In E.
Goffman. Manicômios, prisões e conventos. (pp.13-108). São Paulo:
Perspectiva.  



KERSUL, J.B.C., SILVA, G.R. Benefícios da atividade física em
grupos geriátricos. Uma revisão literária.
EFDeportes.com, Revista Digital.
Buenos Aires – Ano 194 – 2014.



Langoni, C. S., Borsatto, A. C., Valmorbida, L. A., &
Resende
, T. L.
(2013). Teste de caminhada de seis minutos em idosos de uma instituição de
longa permanência: valores, aplicabilidade e correlações. Revista Brasileira de
Ciência do Esporte, 10(3), 285-295.



NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida:
Conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina, Editora
Mediograf, 4ª edição, 2006.



NELSON, M.E.; REJESKI, W. J.; BLAIR, S.N.; DUNCAN, P.W.; JUDGE,
J.O.; et al. Physical activity and public health in older adults:
recommendation from the American College of Sports Medicine and the American
Heart Association. Medicine Science Sports Exercice. 2007, Aug; 39(8):1435-45.



ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). O papel da atividade física no
Envelhecimento saudável. Florianópolis, 2006.




Sobre o Autor

Renata Sollero

Fisioterapeuta e Especialista em Uroginecologia

Fisioterapeuta pela Universidade Federal de MG, Especialista em Uroginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas de MG. Experiência na Assistência à Terceira Idade (individual e em grupo) há mais de 13 anos. Consultora em Gestão do Cuidado do Idoso e Segurança e Funcionalidade do Domicílio.

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