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Desidratação nos Idosos

por Gigi em 18 de fevereiro de 2021


Com esse calor que tem feito nos últimos dias, devemos nos atentar ainda mais à desidratação no nosso público idoso que é uma das causas mais comuns de admissão nos serviços de saúde.



Mas o que é desidratação?



De acordo com a definição da NHS (National Health Service in England – Guidance Nutrition and Hydration), desidratação é um declínio da água corporal que causa sintomas ou disfunção de órgãos ou sistemas.



Sendo a desidratação relacionada à água, temos um grande problema, pois os idosos ingerem um volume muito menor de água em seu dia a dia, e os motivos podem ser vários: Déficit cognitivo, sentir menos sede, receio de beber água e ter que fazer xixi (não querer molhar a calça, gastar fraldas, e ter dificuldade de ir até o banheiro), limitações motoras (dificuldade de buscar a água, de levá-la até a boca), disfagia (em diversos graus). Além da baixa ingesta hídrica, algumas patologias e medicações também interferem na absorção dos líquidos ingeridos e na excreção dos mesmos.



A desidratação pode se apresentar com diversos sinais e sintomas, mas é de difícil diagnóstico, pois esses sinais e sintomas podem estar relacionados a outros quadros patológicos e do próprio processo de envelhecimento, sendo que, apenas busca-se serviços de saúde quando o quadro já está bem avançado. Torna-se essencial, portanto, conhecer esses sinais e sintomas e considerar a desidratação sempre que algum deles surgir. 



São eles:



-Cefaléia;



-Constipação;



-Perda de Peso;



-Boca e Outras Mucosas Secas;



-Deterioração do Estado Cognitivo (Letargia, Confusão Aguda e Irritabilidade);



-Alteração da Pressão Arterial e Hipotensão Postural;



-Taquicardia;



-Alteração da Cor da Urina (mais escura) e do Débito Urinário (menor);



-Pele seca (turgor da pele)



Leia Mais: Saiba quais cuidados devemos ter com a pele dos idosos



Como se dá o Diagnóstico?



O diagnóstico geralmente é feito pelo exame clínico, uma anamnese bem feita e exames de urina (onde avalia-se densidade e coloração), exames de sangue (onde se avalia a osmolaridade, sódio, creatinina, glicose e bicarbonato) e ultrassom da veia cava inferior.



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Um dos grandes problemas da desidratação é que ela é comprovadamente relacionada às quedas, maior dependência e aumento da morbimortalidade, então quanto antes identificada, mais cedo é tratada e melhor manejada. Claro que a prevenção deve ser a palavra chave quando pensamos em idosos e desidratação.



O tratamento consiste na reposição de fluídos e eletrólitos (quando esses estão baixos) através de via oral, via endovenosa, vias alternativas e alimentação e via subcutânea. A escolha do método de reidratação dependerá do grau da desidratação e das limitações que o paciente possa apresentar.



A desidratação é um quadro com fatores biopsicossociais, então sua prevenção também deve envolver todas essas esferas, a partir da identificação dos fatores de risco aos quais o indivíduo está exposto. 



Como prevenir?



-Deixe sempre bebidas quentes e frias, da preferência do idoso, ao seu alcance (quando ele ainda tem alguma função cognitiva e motora preservadas), e garanta que elas sejam ingeridas;



-A socialização favorece a ingestão de líquidos e outros alimentos ricos em água;



-Bebidas coloridas e águas aromatizadas são mais atraentes e favorecem sua ingestão;



-Copos, xícaras e canecas coloridas e bonitas são mais atraentes;



-Frutas ricas em água são opções de complemento à ingestão de líquidos;



-Controle e tratamento de disfagias e déficits motores favorecem que o idoso beba líquidos;



-Criar uma rotina de oferta de líquidos por via oral ou vias alternativas quando o idoso já tem déficits físicos e motores;



-Oferecer os líquidos de forma lenta, com o idoso bem posicionado, com uso de canudos, colheres e copos especiais (quando indicado por um profissional) e espesso de acordo com a orientação do fonoaudiólogo (quando necessário);



-Aumentar a oferta de líquidos quando a temperatura estiver muito alta ou quando realizar alguma atividade física;



-Existem aplicativos que calculam o volume de água a ser ingerido por dia e emitem alertas sonoros – o alarme do celular pode ser uma boa opção também;



-Se atentar e seguir orientações da equipe interdisciplinar para aqueles idosos com restrição hídrica.



A desidratação é grave, mas pode ser tratada e prevenida. Todos devemos estar atentos e fazer nossa parte!



Já bebeu água hoje? Já administrou água para seu paciente hoje?






Imagem por: Freepik edições Scaelife



Referências: Pazini, S.L. et al – Desidratação em idosos: uma revisão narrativa – EVS,  estudos Vida e Saúde, Goiânia, 2020




Sobre o Autor

Naira Salles de Moraes

Fisioterapeuta e Especialista em Gerontologia

Fisioterapeuta pela Universidade de Mogi das Cruzes , cursou especialização em fisioterapia em gerontologia pelo HCFUSP. Docente pela FMU-Laureate. Membro do corpo docente da Physiocursos -FABIC. Fisioterapeuta domiciliar e na ILPI Solar das Mercedes. Experiência de mais de 16 anos com atenção ao público idoso.

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