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Fisioterapia na Demência

por Gigi em 3 de dezembro de 2020


Ainda é muito comum ouvirmos familiares e profissionais de saúde dizendo que o idoso com demência, principalmente nos quadros avançados no quadros iniciais, não precisa de demência. Isso se deve, principalmente à falta de conhecimento de todas as partes envolvidas. Para isso, nada melhor que educarmos, não é mesmo?



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A fisioterapia ainda é tida, por muitos, como uma terapia realizada para controle de dor e reabilitação de patologias ortopédicas. Mas a fisioterapia vai muito além disso, atuando, além da reabilitação, na prevenção! E na demência, grande parte do nosso trabalho, é prevenir, principalmente com o avançar das síndromes demenciais.



Existem diferentes síndromes demenciais, mas todas tem em comum o progressivo déficit cognitivo, funcional e motor, culminando em uma dependência moderada/ grave e por vezes em imobilismo/ estado vegetativo. Além disso, diversas patologias oportunistas surgem durante o curso da doença, sendo essas, muitas vezes a causa do óbito desses pacientes demenciados.



Bom, já podemos então estabelecer alguns pontos em que a fisioterapia pode atuar:
– Prevenir, controlar e reabilitar patologias oportunistas agudas;
– Atrasar a perda cognitiva;
– Atrasar e evitar perdas motoras e funcionais;
– Evitar complicações do imobilismo no leito (lesões por pressão, contraturas e encurtamentos musculares, dores, deformidades articulares, atelectasias pulmonares, trombos e êmbolos, etc.)



Mas a pergunta ainda pode ser: “como a fisioterapia pode atuar no paciente com demência?”



Tudo vai depender do grau da demência em que o paciente se encontra e qual o tipo de demência diagnosticada (Alzheimer, Vascular, Mista, Corpúsculos de Levi, etc.), e essas informações vão ser obtidas na Avaliação Geriátrica Ampla, permitindo que os objetivos e condutas sejam estabelecidos.



As condutas ativas devem ser sempre as de primeira escolha e devem se manter enquanto o paciente tenha capacidade de realizá-las, mesmo que adaptadas e com intensidades diferentes. Sabemos que exercícios aeróbicos, de dupla tarefa e resistidos têm bons resultados na função cognitiva, alterações comportamentais e aspectos psicológicos do idoso demenciado. Além desses benefícios que tem sido levantados nos estudos recentes, há os já conhecidos benefícios motores (tanto dos grandes grupos musculares quanto dos menos falados, como os do assoalho pélvico), circulatórios, respiratórios, analgésicos e articulares. Quando os exercícios ativos não forem mais possíveis, devemos evoluir para os assistidos e posteriormente aos passivos. Vale a pena lembrar que, ao estarmos nas condutas passivas, todas as articulações de grupos musculares devem ser mobilizados, e não apenas os grandes e principais.



As condutas ativas, sempre que possível, devem incluir o treino das funções que o idoso realize em sua rotina. Mesmo que ainda não apresente déficits funcionais, treiná-las atua de forma preventiva à perda. Devemos também considerar os aspectos necessários para a realização dessas tarefas. Por exemplo: Andar – Para andar o idoso precisa de força de membros inferiores, equilíbrio dinâmico, boa amplitude de movimento articular, estabilidade de tronco, quadril, tornozelos e joelhos, base de apoio adequada, oscilação de peso eficaz, ajustes posturais antecipatórios e compensatórios, função executiva, etc.



Para o fisioterapeuta que tenha formação nelas, as técnicas integrativas e alternativas de tratamento podem ser bem associadas ao tratamento convencional.



Os exercícios respiratórios também devem estar presentes em todas as fases da assistência fisioterapêutica ao idoso demenciado. Eles estão presentes na rotina preventiva, mantendo as vias aéreas perveas, força de musculatura respiratória, expansibilidade torácica e padrão respiratório, mas também na rotina de reabilitação dos acometimentos respiratórios, comuns nas fases moderadas e avançadas da doença.



Quando o idoso demenciado, por ventura, evolua com lesões por pressão, mesmo com as condutas preventivas (mobilização passiva, exercícios circulatórios, estímulo á mobilização ativa, troca de decúbitos de horário) a fisioterapia também pode atuar na cicatrização dessas lesões cutâneas com a manutenção da mobilização (e consequente estimulo à circulação) e diversas técnicas de eletroestimulação (Alta Voltagem, Laser de baixa frequência, Ultrassom, Alta Frequência, etc.).



A fisioterapia é um momento de descontração e dinamismo em que o paciente portador de demência pode sair do leito, do sofá, da poltrona, do quarto, da sala, da casa e da ILPI, então é de suma importância estimulá-lo o máximo possível. Cabe ao profissional também educar família, cuidadores e paciente sobre a necessidade de movimentar-se sempre que possível e que ficar restrito à um único espaço, cama ou sofá é extremamente prejudicial. Aí levantamos um ponto muito importante que é o papel de educador do fisioterapeuta junto ao paciente e seus entes.



Agora que você já sabe como o fisioterapeuta atua com o paciente portador de demência, nada mais de interromper a fisioterapia ou achá-la desnecessária para seu paciente ou ente. E para você, fisioterapeuta que cuida de idosos demenciados, nada melhor que sempre se atualizar com artigos e livros sobre assunto, mantendo sempre as melhores e mais eficazes técnicas de trabalho.






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Refeências:



  1. Kurita, S. et al. – Association of physical and/or cognitive activity with cognitive impairment in older adults – 2020 Japan Geriatrics Society
  2. Teixeira, C.M. et al. – Atividade física, autoestima e depressão em idosos – Cuadernos de Psicología del Deporte, vol. 16, n.º 3 (diciembre)
  3. Antunes, H.K.M. et al. – Exercício físico e função cognitiva: uma revisão – Rev Bras Med Esporte _ Vol. 12, Nº 2 – Mar/Abr, 2006
  4. Duran-Badillo, T. – Sensory and cognitive functions, gait ability and functionality of older adults – Rev. Latino-Am. Enfermagem 2020;28:e3282
  5. Fisioterapia nas Demências / Eliane Mayumi Kato, Marcia Radanovic. – São Paulo : Atheneu, 2007 



Sobre o Autor

Naira Salles de Moraes

Fisioterapeuta e Especialista em Gerontologia

Fisioterapeuta pela Universidade de Mogi das Cruzes , cursou especialização em fisioterapia em gerontologia pelo HCFUSP. Docente pela FMU-Laureate. Membro do corpo docente da Physiocursos -FABIC. Fisioterapeuta domiciliar e na ILPI Solar das Mercedes. Experiência de mais de 16 anos com atenção ao público idoso.

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