O que é a pneumonia aspirativa? Você já ouviu falar em Disfagia?

por Gigi em 14 de abril de 2022
Renata Sollero

Fisioterapeuta e Especialista em Uroginecologia


Disfagia é a dificuldade de deglutir (engolir), o que causa os episódios de ENGASGOS, tão desconfortáveis para quem sofre e para quem assiste. Nesses momentos, a tosse acontece com reflexo protetor vital para o organismo.







Tudo o que passa pela cavidade oral e vai pela nossa garganta cai numa espécie de tubo, que se bifurca em Laringe e Esôfago. A primeira estrutura desemboca no pulmão e a segunda no estômago. Se, nessa bifurcação, alimentos ou saliva descerem para nossas vias aéreas, o nosso instinto é tossir. Isso porque a única coisa que pode circular pelos pulmões é  AR, sob risco de se desenvolver infecções como a pneumonia.



O que causa a pneumonia?



Pneumonias podem ser causadas por vírus, bactérias ou pela aspiração daquilo que não é ar para dentro dos brônquios (broncoaspiração). À essa última damos o nome de Pneumonia Aspirativa e se trata de uma condição com alta taxa de letalidade, principalmente em idosos.



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A população da terceira idade está sob maior risco de incidência de disfagia, ocorrendo como consequência de doenças neurológicas como o Parkinson (muito comum), AVC ou demências; obstruções como tumores na garganta ou esôfago ou essencialmente da condição de fragilidade do idoso, com perda de força e sensibilidade das estruturas relacionadas ao ato de engolir, sem necessariamente estar associada a uma patologia específica. Nesse caso ela é chamada de Presbifagia. O uso de medicamentos pode estar relacionado com a condição, quando os efeitos adversos comprometem as funções neurológicas e musculares.



Ela pode acontecer com uma consistência específica de alimento (sólido, líquido ou pastoso) e em casos graves há dificuldade de deglutir qualquer coisa. Por isso, além do comprometimento respiratório, idosos disfágicos são muito propensos a desidratação, desnutrição e perda de peso. Também pode ter impactos sociais e emocionais, pela limitação e/ou isolamento durante as refeições cotidianas e junto à família.



O doente precisa de acompanhamento com Fonoaudiologia para reabilitação da função deglutitória e diminuição da chance de broncoaspiração.



“Mas como saber se preciso de ajuda?”



Ao ler tudo isso, você pode estar afirmando: “mas o idoso que conheço não engasga com frequência”. Saiba então que a tosse durante a alimentação não é o único sintoma de disfagia e que os mais velhos podem ter o reflexo de tosse alterado ou diminuído.



O paciente precisa procurar ajuda especializada se ele apresenta:



  • dificuldade de mastigar e engolir (dor, tosse, pigarro, sensação alimento parado na garganta);
  • escape alimentos, líquidos;
  • fadiga/ asfixia ao alimentar;
  • refluxo nasal de alimento/ líquido;
  • resíduo em grande quantidade na boca após a refeição;
  • recusa alimentar, perda de peso;
  • alteração da voz;
  • febre de causa desconhecida.


Dicas para o cuidado com idosos que apresentarem os sintomas



  • Refeições em local calmo, sem distrações (evite conversar) ;
  • Não ter pressa para comer️, não se alimentar enquanto estiver sonolento (tenha paciência);
  • Dar pequenos goles e pequenas mordidas (oferecer pequenas quantidades);
  • Optar por alimentos macios ou pastosos, evitar os duros, secos e arenosos (farofa, biscoito água e sal, farelos…);
  • Deglutir com a  cabeça fletida (leve inclinação da cabeça para frente);




  • Usar copos largos e baixos;




  • Não comer ou beber deitado (pacientes acamados, elevar a cabeceira no mínimo 45o);
  • Se for dependente para comer, o cuidador de estar sentado à mesma altura, de frente para ele);
  • Limpar a boca logo após a refeição, para evitar a aspiração de restos de comida;
  • Não deitar 20-30 min após a refeição (principalmente portadores de refluxo gastroesofágico);
  • Estimular quando tossir;
  • Usar espessante quando e como recomendado (consistência).


Essas recomendações não dispensam a avaliação de fonoaudiólogo especializado em tratamento da Disfagia. Lembrando que a pneumonia aspirativa é muito séria e frequentemente responsável pelo óbito de pacientes idosos frágeis.






Imagem por: Freepik




Renata Sollero

Fisioterapeuta e Especialista em Uroginecologia

Fisioterapeuta pela Universidade Federal de MG, Especialista em Uroginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas de MG. Experiência na Assistência à Terceira Idade (individual e em grupo) há mais de 13 anos. Consultora em Gestão do Cuidado do Idoso e Segurança e Funcionalidade do Domicílio.



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