Usamos cookies para melhorar sua experiência no nosso site, acesse nossa Política de Privacidade e saiba mais. Ao usar o nosso site, você concorda com nossa política.

Aceitar Rejeitar

TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ESCARAS

por Gigi em 8 de maio de 2020


Escara ou Úlcera são nomes técnicos para machucado, lesão de pele. Pacientes com pouca ou nenhuma mobilidade tendem a desenvolver essas feridas em áreas de ponta de osso ou cartilagem que ficam em contato prolongado com superfícies firmes como cadeiras, camas, equipamentos hospitalares e outros, especialmente quando ficam a maior parte do tempo deitados (ou em decúbito).



Como ocorrem?



A pressão exercida sobre a região interrompe a circulação e nutrição no local e pode causar a morte dos tecidos do corpo. A umidade, suor ou urina, e Fricção, atrito da região contra roupas de cama ou estofamentos, contribuem para o agravo da condição. Essas lesões acometem com mais frequência a região do osso sacro, logo acima das nádegas, as laterais do quadril, calcanhares e laterais dos pés, ombros, joelhos e orelhas.



Elas são classificadas de acordo com o grau de comprometimento das estruturas:



  • Grau 1: vermelhidão na pele, que não desaparece mesmo quando a pressão no local é aliviada. Essas alterações são mais difíceis de serem observadas em pele mais escuras.
  • Grau 2: esfolado, machucado superficial ou bolha d’agua.
  • Grau 3: morte do tecido debaixo da pele, ferida com cor escura, podendo haver nódulo endurecido.
  • Grau 4: morte de tecido muscular e tendões, estrutura óssea exposta.


ESTEJA ATENTO! Às vezes o primeiro sinal é uma úlcera em estágio 3 ou 4.



SINAIS DE PIORA X MELHORA



Sinais de Piora: aumento da vermelhidão em torno da escara e aparecimento de tecido amarelado ou marrom na parte de dentro da ferida. Em caso de infecções pode-se observar pus ou mau cheiro.
Sinais de Melhora: A ferida fecha-se de fora para dentro. Quando está cicatrizando corretamente, ao redor dela vão surgindo pequenos grânulos vermelhos, parecidos com amora.



Por que prevenir?



Costuma-se dizer que quando se observa um pequeno machucado em região de proeminência óssea, o que se vê é “a ponta de um iceberg”, pois o dano interno (em músculos e outras estruturas debaixo da pele) pode ser bem maior. O mínimo descuido pode ser suficiente para o surgimento de escaras, pois a necrose (morte de tecido) tende a ocorre em 3-4h sem circulação.
Quando tratadas na fase inicial têm grandes possibilidades de cura; quando negligenciadas e em fase tardia são difíceis de cicatrizar e apresentam grande risco de infecção. Uma ferida aberta facilita a entrada de microrganismos, podendo complicar o estado de saúde geral.



Leia também: VAMOS MUDAR DE LADO? SAIBA COMO PREVENIR ÚLCERAS POR PRESSÃO (ESCARA)



Fatores de Risco



  • Idosos tem maior risco de desenvolver escaras pois apresentam diminuição da gordura abaixo da pele e tem a circulação sanguínea alterada.
  • Recomenda-se atenção especial aos pacientes com mobilidade reduzida por patologias, sedação e fraqueza.
  • Urina e fezes além de aumentarem a umidade em região de maior risco de escara, são irritantes da pele.
  • Pacientes diabéticos, desnutridos, com comprometimento arterial ou venoso podem apresentar prejuízos na sensibilidade da pele e na capacidade de cicatrização.


Como proceder?



A avaliação diária do paciente durante e após o banho permite a identificação precoce do quadro. No caso de lesões, mesmo que iniciais, recomenda-se a classificação conforme o grau de severidade para melhor acompanhamento.
A Redução da Pressão em áreas de risco do aparecimento de feridas é medida de Prevenção e Tratamento. Ela inclui:
1- Reposicionamento Frequente e Seleção da melhor posição:
Utilize uma escala ou rotina de atividades para direcionar e documentar o procedimento.




Conheça o SCAElife, software para ILPIs e Residenciais Geriátricos.




Quando no leito, a recomendação geral é a mudança de decúbito a cada 2 horas. Avaliar a necessidade de cada indivíduo. Uma pessoa emagrecida, por exemplo, precisa ser movimentada com mais frequência. A posição sentada deve ser mantida por, no máximo, 1 hora e o paciente deve ser encorajado a aliviar os pontos de maior pressão a cada 15 min.
A elevação da cabeceira do leito deve ser mínima.
Tubos, sondas e drenos não devem ter contato direto com a pele. Avalie áreas que permanecem por muito tempo em contato com oxímetros.
Para reposicionamento, usar aparelhos de levantamento ou roupas de camaa, traçados, em vez de arrastar o paciente para evitar atrito.
2- Acessórios de Proteção:
Proteger o contato entre joelhos e entre tornozelos, e a hiperpressão dos calcanhares e cotovelos. Utilize travesseiros, cunhas, protetores e assentos especiais.
Colchões de caixa de ovo ou gel são indicados na prevenção ou lesões de grau 1. Em casos mais severos, utilizar os pneumáticos.
3- Atenção! Não massagear a área comprometida a fim de aliviar a pressão, pois pode piorar o dano nos tecidos.



Evite o problema



  • Pacientes com maior risco (diabéticos ou de imobilização prolongada, por exemplo) devem ser observados mais de perto.
  • Utilize colchão tipo caixa de ovo de, no mínimo, 18 cm, trocado regularmente.
  • Prefira roupa de cama de algodão, mantenha-a sempre sem dobras.
  • Banhos de leito só em extrema necessidade.
  • Evite represamento de urina e fezes, troque as fraldas frequentemente.
  • Pele sempre limpa e seca. Não esfregar a pele durante os cuidados básicos.
  • Dieta balanceada e rica em proteínas.
  • Fisioterapia ativa e passiva.
  • Estimular a movimentação respeitando sempre as possibilidades físicas e motoras do paciente.


Quando a Lesão se instala



Um enfermeiro especialista deve avaliar e orientar os procedimentos
e recomendar a intervenção médica se necessária.



Os cuidados com a úlcera incluem limpeza minuciosa e troca frequente de curativos, controle da dor e infecção (com antibióticos e outros medicamentos), avaliação das necessidades nutricionais e de terapias concomitantes (laser, pomadas, desbridamento, enxertos de pele e músculo, outras cirurgias).



Leia também: JÁ OUVIU FALAR EM LESÃO POR FRICÇÃO?






Imagem por:


Sobre o Autor

Renata Sollero

Fisioterapeuta e Especialista em Uroginecologia

Fisioterapeuta pela Universidade Federal de MG, Especialista em Uroginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas de MG. Experiência na Assistência à Terceira Idade (individual e em grupo) há mais de 13 anos. Consultora em Gestão do Cuidado do Idoso e Segurança e Funcionalidade do Domicílio.

Tags:



Leia mais: